fim de tarde

é solúvel, passageiro.
eu sei que a dor não vai durar pra sempre, mas enquanto ela insiste em sentar aqui comigo e falar ao meu ouvido, eu vou continuar aqui, entre um pensamento e outro, entre intervalos de insônia e xícaras de café. vou continuar lembrando.
você significou tanto pra mim que eu tenho medo que isso acabe. eu sei que pra você já acabou faz tempo, talvez pra você nem tenha começado afinal. pra mim a dor ainda faz parte do fim, e enquanto ela permanecer não me dou o direito de pensar que acabou. as vezes eu queria que fosse diferente. juro que eu queria. queria me levantar da cama, fixar o olhar no espelho do banheiro, fechar os pulsos com toda minha força e dizer pra mim mesmo repetidamente que te esqueci, que acabou pra ver se finalmente toda essa dor vai embora, mas eu sei que não. já tentei. queria que você não tivesse olhado pra mim. nunca.

é profundo, um abismo.
também sei que sinto sua falta, e que parte de mim ainda quer que você seja a voz de bom dia que verdadeiramente ecoa na cabeça e me motiva a buscar o melhor. quer que você seja a pessoa a qual eu vou correndo contar que finalmente eu passei naquele vestibular que eu tanto queria. que seja você a minha companhia pra jantar. que seja sua foto no porta retrato que guardo dentro do meu armário. que seja você. a olhar nos meus olhos e sorrir ao ver que depois de um dia nublado e chuvoso, à noite a lua está deslumbrante e cheia. e você sabe que todas as noites eu olho pro céu.
essa parte de mim, aquela que sabe que cometeu um erro, também sabe que o fim ainda não chegou, ela espera.

quando o fim de tarde chegar, e você chegar do trabalho, exausta de tanto se esforçar e esperar. você vai saber o que quer, só então essas duas partes de mim serão um todo. 
talvez só não era pra ser mesmo, e eu sei que você sente muito por isso. relaxa. não foi sua culpa.

eu amei você e esse foi  meu  erro.

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